quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

O dia em que o Sol parou no céu e outro em que ele retrocedeu


“Sol, detém-te sobre Gabaon, e tu, Lua, sobre o vale de Ajalon”, assim está escrito em Josué 10, no antigo testamento. E o dia durou duas vezes mais do que o normal.


Algumas estórias inventadas que circulam pela Internet, de que esse longo dia de Josué afeta a navegação espacial atualmente, quando se lança naves para outros planetas, é pura balela. A NASA não detectou nenhum dia faltando no nosso calendário além dos dez dias que o papa Gregório XIII suprimiu nos idos de 1582, em conseqüência das decisões tomadas no Concílio de Trento. Não existem meios de se comprovar esse “milagre” bíblico na natureza, assim como não é detectável, pelas missões interplanetárias, os dez graus que o profeta Isaías fez o Sol retroceder no céu para prolongar a vida do rei Ezequias.


Da palavra de Deus podem surgir tantos mundos quanto julgar necessária a fé judaico-cristã, o que é tão certo quanto os mundos possíveis que nossas palavras podem realizar quando usadas conscientemente. O que vemos, em geral, são fragmentos caóticos do mundo das possibilidades. O mundo real espera por nós para ser criado. Se nos omitimos, ele se cria à nossa revelia.


Milagres à parte, em alguns lugares o Sol parece que paira imóvel no céu e fica assim por um tempo bem maior do que a gente acha razoável.


6/10/2008

Duas Luas



Provavelmente você já recebeu esta pegadinha, também chamada de hoax (terminologia internetês em inglês), na sua caixa de entrada do correio eletrônico. Para que você marque na sua agenda a data de um interessante fenômeno celeste, que o mundo inteiro aguarda o dia em que o Planeta Marte se aproximará tanto da Terra que parecerá tão grande quanto a Lua cheia. Que será como se a Terra tivesse duas luas e que se você perder esta observação não terá outra oportunidade, porque ela só voltará a ocorrer em 2287.

Este hoax das duas luas tem se repetido nos últimos anos. Em vez de dizer apenas que é falso, vou aproveitar a oportunidade para explicar o fenômeno.


Respeitando os ciclos de suas órbitas, os planetas Terra e Marte se aproximam de vez em quando podendo chegar a um mínimo de 55 milhões de Km (muito pouco em termos astronômicos, mas ainda assim quase 150 vezes a distância da Terra à Lua). Essa distância mínima varia um pouco em cada ultrapassagem e em 2003 foi bem próximo desse mínimo possível e, que eu me lembre, foi a primeira vez que li sobre esta estória.


Para que os planetas se aproximem, basta que estejam os dois do mesmo lado do Sol, pois como ambos giram ao redor do Sol, os planetas podem estar do mesmo lado ou em lados opostos (quando estiverem em lados opostos, estarão muito longe um do outro.)


Marte, porém, nunca será visto do tamanho da Lua. Sinto muito revelar isso. Esta estória mal contada parece ter nascido da tradução mal-feita da palavra magnitude em inglês, que é usada em Astronomia como uma medida do brilho dos astros. Marte realmente fica muito brilhante no céu nessas ocasiões, mas o tamanho nunca se equipara ao do nosso satélite natural. Mesmo com um telescópio não conseguiríamos ver Marte do tamanho da Lua.